Não é segredo pra ninguém o quanto eu sou "babona" do Lollapalooza e o quanto eu sou apaixonada pelo festival, mesmo tendo marcado presença em apenas 2 anos, mas sempre acompanhando tudo que acontece, porque sou fã e apaixonada por tudo que rola sobre esse universo todo.
Sempre quis escrever algo sobre o Lolla, e publicar em algum lugar, mas nunca tive ideia do que colocar por sempre achar que as reportagens, resenhas e críticas sempre diziam a mesma coisa, eu queria escrever algo que fosse um pouco diferente e ao mesmo tempo contasse um pouco da maneira que eu enxergo tudo.
No semestre passado tive oportunidade de pegar uma disciplina na faculdade onde eu pude fazer um dossiê, ou digamos que, uma clipagem sobre o evento, e depois faria uma reportagem literária sobre o mesmo. Fiquei feliz com o resultado e resolvi finalmente publicar aqui, rsrsrs.
Segue a reportagem:
Lollapalooza: A intensidade de um festival
Era para ser apenas uma turnê de despedida de sua banda Jane’s Addiction, lá em 1990, mas Perry Farrell não sabia que a criação do Lollapalooza faria um enorme sucesso. Principalmente no século XX, e se concretizaria em seis países, com sucesso de público em todas as suas edições. O Lollapalooza, ou apenas Lolla, carinhosamente abreviado pelos fãs fiéis do festival, é hoje em dia, um evento anual composto por vários gêneros da música, como o rock alternativo, heavy metal, punk rock, indie, folk, eletrônicos e poderíamos listar muitos outros. Além de atrair um fantástico público pela música, o evento traz espaços para lazer, diversão e entretenimento de encher os olhos, e a cada ano, o Lolla vai se tornando mais dinâmico, deixando cada um se sentir em casa durante um final de semana recheado de atrações e momentos, que com certeza, são inesquecíveis para quem tem a oportunidade de participar, eu que o diga.
Observando de fora, pela TV, ou seja lá como você descobriu ou ouviu falar sobre o Lollapalooza, ninguém imagina quão grandioso realmente é aquele momento. Ele é, atualmente, o maior evento de música do Brasil. Sim, o maior! Imaginem estar num espaço desse porte e grandiosidade, como o Jockey Club e o Autódromo de Interlagos, rodeado de pessoas com o mesmo objetivo, a música. Imaginou? Agora calcule mais de cinquenta horas de música, com um público apaixonado e fervendo. Isso é o Lolla. Quando sete frequentadores assíduos do Lollapalooza Brasil – e digo assíduos, pois marcaram presença nas seis edições que ocorreram aqui – foram questionados sobre o motivo de estarem lá todos os anos, a resposta foi única e era possível perceber a paixão: a música. Gabriela Albino, por exemplo, destacou que as principais características do festival são “O momento em que você entra no festival, quando a banda chama a plateia para cantar junto, sentar na grama sem se preocupar se vai sujar sua roupa, dançar até música mais lenta, e por fim, os fogos.” São palavras dela. Também quando questionados se voltariam no ano seguinte, resposta unanime, sim! Já são dias marcados no calendário. A certeza que você vai aproveitar o evento do começo ao fim, a energia do lugar e a variedade de bandas que você vai conhecer, me tornaram fã do Lollapalooza e me fizeram comparecer por dois anos consecutivos, 2014 e 2015. Durante os anos de 2012 e 2013, a festa ficou por conta da GEO eventos e acontecia no Jockey Club, em São Paulo, mas a partir de 2014, Time For Fun (T4F) recebeu as honras de continuar fazendo o evento brilhar, e de lá pra cá, ela vem executando muito bem esse papel, produzindo um festival digno de elogios, cada ano melhorando mais e mais e transferido para um lugar bem mais amplo, o Autódromo de Interlagos.
Tudo começa a ser minimamente planejado quando as especulações sobre quais bandas irão nos proporcionar esse inesquecível final de semana começam a circular. São mais de 100 mil pessoas ansiosas, e em 2014 eu era uma delas. Seria a terceira edição realizada em solo brasileiro e ela viria com várias mudanças devido à troca de produtores. Entre setembro e outubro do ano anterior, as redes sociais já ficam fervendo, pois é o período em que o lineup oficial (grade de atrações) é divulgada, e pouco menos de um mês, os ingressos começam a ser vendidos. Outubro é um ótimo mês, e sabem por quê? Bom, era meu aniversário de 23 anos e meu presente com certeza já estava em mente. Praticamente toda grade de shows me agradava, o que eu não conhecia, estava disposta a ouvir. Só de imaginar estar finalmente naquele lugar, que, até então eu só conhecia através da televisão, me fazia ficar ainda mais ansiosa. Estávamos em outubro de 2013 e o Lolla ainda seria em Abril de 2014. O Lollapalooza todos os anos abre uma pré-venda de ingressos, e por ser pré-venda, ela acaba sendo mais barata do que o valor das vendas normais, e é aí que começa a loucura, porque todo mundo que quer, precisa enfrentar uma fila online que te deixa esperando muito tempo até que você consiga adquirir o seu. Segue anexo:
São Paulo vira realmente um ponto turístico e recebe grande impacto econômico. Em pesquisa realizada no ano de 2015, mais da metade das 136 mil pessoas que foram ao festival vem de fora da capital paulista. O Lollapalooza gerou um impacto de mais de R$93 milhões na economia da cidade, com gastos de hospedagem, alimentação e outros, além da grande geração de empregos que é proporcionado.
Imaginem o que é uma espera de cinco meses. O mundo daqueles que vão ao Lolla, com certeza começa a girar um pouco mais devagar, depois que temos a certeza que estaremos lá no ano seguinte. Planeja viagem, chama amigo, começa a ouvir até a banda que você menos conhece ou nunca ouvir falar, só pra estar por dentro do que vai rolar, e pasmem, que roupa usar? Em 2012, quando íamos receber a primeira edição do evento, um grupo foi criado no facebook, grupo este, que funciona até hoje e já formou muitas amizades, proporcionou encontros, e é lá, por exemplo, que muitas dúvidas, planos e sugestões são discutidos exatamente durante o período de espera. As redes sociais são ferramentas que ficam movimentadíssimas. Nada melhor do que uma ansiedade conjunta, com pessoas de diversas partes e regiões do país, que podem até nem ir pra curtir o mesmo show que você, mas como eu já falei antes e faço questão de repetir, estão ali pela música, que é a alma do festival.
É, os meses de fato se arrastam, porque quanto mais pensamos, mais longe a viagem começa a ficar. Sempre fui uma pessoa apaixonada por viagens, música e fotografia. Minha ida à São Paulo, além de juntar essas três paixões, iria me proporcionar também rever amigos que eu não encontrava há tempos, eles seriam meus companheiros de aventura, e que aventura! Muitas pessoas que nunca foram e me questionam do “porquê” de eu gostar tanto e ser uma fã declarada do Lolla, também não fazem ideia do que acontece do momento em que a gente entra no chuveiro pra começar a maratona, até lá, até o fim do dia. Isso porque, eles não passam por aquela ansiedade que eu já fiz questão de compartilhar com vocês antes. Os portões do Lollapalooza Brasil abrem oficialmente ao meio-dia todos os anos. Há quem chegue um dia antes, seis horas antes, ou até mesmo bem tarde.
Quando o mês de Abril chegou eu mal podia acreditar que finalmente iria embarcar. Malas prontas, ingressos, até letras decoradas e tudo pronto pro final de semana dos dias 5 e 6 de Abril de 2014. A cidade de São Paulo em si, vira palco pra esse grande evento e te recebe de braços abertos. O movimento das ruas é muito mais intenso, os banners sobre o Lolla estão por todos os lugares, e a música? A música não para. O dia amanheceu com um calor, digamos que de 30 graus, naquele 5 de Abril. Ensolarado e digno de um dia realmente maravilhoso pela frente. Nunca nos arrumamos tão rápido. Você precisa saber que a organização do evento proíbe a entrada de muitas coisas, é sempre bom ler tudo que eles publicam em suas páginas. No caminho para o metrô já é possível perceber quem ta indo pro show, quando entramos na estação então… A energia e a “vibe” já pode ser sentida nos quatro cantos. É tudo muito bem sinalizado, ou simplesmente siga o fluxo de milhares de pessoas indo para o mesmo destino, foi o que aconteceu. Lá, já podemos ver um mar de pessoas em passos lentos, aguardando sua vez de passar por um dos oito portões espalhados ao redor do autódromo. O sol não para de ferver e brilhar, fazia muito calor. Entramos. A recepção do Lollapalooza por si só, já te convida a tirar fotos e registrar aquele momento, pois eles capricham na ornamentação, e esse é um dos pontos altos do evento, o cuidado com que eles planejam cada balão, cada espaço, cada mínimo detalhe nas bandeiras é incrível. Cada patrocinador tem seu jeitinho de nos fazer sentir especial. As marcas elaboram desde copos até painéis, e espaços de encher os olhos. São tantos espaços e lugares para visitar, que vez ou outra bate um desespero com medo de não aproveitar de tudo um pouco. Imaginem só, curtir mais de quinze bandas, e tirar um tempo para explorar tudo que eles oferecem? É demais! O relógio deveria ter muito mais horas. Sobe ladeira, desce ladeira, esbarra num famoso aqui, mas opa! Tem uma roda gigante logo ali, com uma fila… não, melhor não. Espera! Tem um show rolando agora em outro palco, vamos da uma olhada. É uma loucura! É maravilhoso! Os pés fervem, por isso, sempre é bom procurar um calçado bem confortável para ir. Entre um show e outro é possível colocar uma toalha no chão, dar uma refrescada, tirar algumas fotos e aproveitar para uma boa caminhada até o banheiro. Logo logo vai começar outra banda, mas se preferir, tem outros três palcos com alguma música rolando. Bateu a fome? Em 2014 tinha um leque de opções, mas confesso, a única coisa que conseguia era me refrescar, a fome passava longe e queríamos apenas aproveitar cada segundo. Caminhamos até o palco principal, onde teria a banda que estávamos mais ansiosos para assistir. O Imagine Dragons.Era uma multidão, e pra mim, surreal. Eu assistia aquilo pela TV, e agora, estava lá. No Lolla, você dança, canta, chora, grita, se emociona e ninguém vai te olhar torto por isso. No Lolla, você se veste da maneira que você quiser, e ninguém vai te julgar; Lá, você vai fechar os olhos, curtir a música, dar risada com seus amigos e curtir até a batida mais lenta de cada banda, aproveitar cada metro quadrado e registrar cada segundo, não só com uma câmera, mas com a mente e o coração. Isso é o Lolla, e é por isso que ele é um sucesso, e é por isso que eu convido todos à irem pelo menos uma vez sentir essa energia, nesse evento que reúne gente de todas as tribos, cidades e estilos. É isso que a música e o Lollapalooza Brasil, juntos, nos proporciona e me proporcionou.
Reportagem de Carolinie Dantas






